sexta-feira, 15 de junho de 2012

Erupção






ERUPÇÃO


Meus lábios ardem na caldeira dos sonhos
meus dedos estremecem nas pontas dos teus seios
e todo eu me revolvo no terramoto do teu colo,
ajoelhado na relva púbica do teu ventre
meus olhos cerram-se com medo
com medo que tudo isto não passe de miragem
de náufrago sedento na areia das tuas coxas.
diz-me meu amor, que estás aí,
diz-me meu amor, que as tuas mãos
são aquelas que roçam meus ouvidos
e teus lábios as fogueiras que aquecem minha boca
diz, meu amor, que teus olhos são as estrelas
que cintilam no céu desta ilusão,
diz, meu amor, que a gruta onde me afundo
é esse mar onde navego sobre as ondas
inebriado e louco nas curvas do teu corpo.
diz-me, meu amor, que a tua língua
é o inferno em que me lanço decidido...
mas diz-me, sobretudo, que esta hora
é muito mais do que uma hora,
é bem mais, amor, do que um só dia,
e que em ti embarquei para a eternidade...

(Fernando Peixoto)

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