quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Instalação do Amor



A instalação do amor
Primeiro é a instalação da terra
Acomodada, sem nervuras, sem espera,
Deixa crescer a coisa daninha da solidão,
Vem à mão e enxuga os dedos nos grãos sólidos,
Arranca o ato sem gosto e cheiro
Fazendo buracos esperançados.

Depois é o mistérios do preparo:
Os olhos são fundamentais nesse trajeto
Eles medem  o cumprimento da empreitada,
Descansam, caminhos no percurso de chegada,
Lambem a terra pré orgástica
E passeiam curiosos pelos sortilégios do desejo.

Então vem a semeadura:
A festa acesa do corpo,
O baile generoso dos sentidos.
Bocas que ardem e mordem,
Mãos que procuram e acham,
Língua desabotoada de prazer,
Corações protegidos da dor
Comem todas as frutas do prazer.

Finalmente instalado
O amor desata e explode
Enche vazios, esmaga paredes,
Entope veias, faz outros veios.
E arregaça emoções por meio.
Tortura a simplicidade
Arrematando ordens e sentidos.

Assim, renova-se a vida!!!

Do livro:
À flor da pele (Antônio Gil Neto e Edson Gabriel Garcia)


Um comentário:

  1. Muito lindo,Rosélia!! E como foi por lá,tudo bem: beijos,chica e um lindo dia!

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