sábado, 30 de junho de 2012

Amar é




Amar é...
sorrir por nada e ficar triste sem motivos
é sentir-se só no meio da multidão,
é ciúme sem sentido,
o desejo de um carinho;
é abraçar com certeza e beijar com vontade,
é passear com a felicidade,
é ser feliz de verdade!

(Albert Camus)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Acredito no Bem




‎"O caminho que eu escolhi é o do amor.
Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que vou ter que encarar.
Escolhi ser verdadeiro.
No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero.
Por isso, não estranhe a minha maneira de sorrir e de te desejar tanto bem.
Eu sou aquela pessoa que acredita no bem, que vive no bem e que anseia o bem.
É assim que eu enxergo a vida e é assim que eu acredito que vale a pena viver."

(Clarice Lispector)

domingo, 24 de junho de 2012

Rosa




4º Motivo da Rosa




Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas
verá, só de cinzas franzida,
mortas,
intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

(Cecília Meireles) 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Se tu Chegasses


Se tu chegasses e me dissesses - vamos...
E as tuas mãos às minhas estendesses
Esse gesto talvez eu não entendesse
Porque jamais sonhei que o alcançasse
E... Se suavemente os teus olhos me olhassem
E só ternura neles eu visse
Neste momento, quem sabe,
Eu pedisse que os nossos rumos jamais se separassem
Se depois os teus braços me envolvessem
E nesse abraço o teu amor me desses
Talvez o próprio Deus me entendesse
E neste instante vida, "Ele" parasse.

(Maktub)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dei-me um Tempo




Hoje “me dei um tempo” para pensar na vida.
Na minha vida!!!
Decidi então que a partir do próximo amanhecer,
vou mudar alguns detalhes para ser a cada 
novo dia, um pouquinho mais feliz.

Para começar, não vou mais olhar para trás. 
O que passou é passado, se errei, 
agora não vou conseguir corrigir.
Então, para que remoer o que passou?

Refletir sobre aqueles erros sim 
e então fazer deles um aprendizado 
para o “meu hoje”...
Nem todas as pessoas que amo, retribuem 
meus carinhos como “eu” gostaria... E daí?

A partir do próximo amanhecer vou continuar a amá-las, 
mas não vou tentar mudá-las.
Pode ser até que ficassem como eu gostaria que fossem, 
e deixassem de ser as pessoas que eu amo.
Isso eu não quero.

Mudo eu...
Mudo meu modo de vê-las.
Respeito seu modo de ser.
Mas não pense que vou desistir de meus sonhos!!!
Imagine!!!

A partir do próximo amanhecer, 
vou lutar com mais garra para que eles aconteçam.
Mas vai ser diferente.
Não vou mais responsabilizar
a mais ninguém por minha felicidade.

EU VOU SER FELIZ!!!
Não vou mais parar a minha vida porque
o que desejo não acontece, porque uma 
mensagem não chega, porque não ouço
o que gostaria de ouvir.

Vou fazer meu momento...
Vou ser feliz agora...
Terei outros dias pela frente!!!
Nunca mais darei muita importância aos problemas, 
que não tenho conseguido resolver.

A partir do próximo amanhecer, vou agradecer a Deus, 
todos os dias por me dar forças para viver,
apesar dos meus problemas.
Chega de sofrer pelo que não consigo ter,
pelo que não ouço ou não leio.

Pelo tempo que não tenho e até de sofrer por antecipação, 
pensando sempre, apenas no pior.
A partir do próximo amanhecer, só vou 
pensar no que tenho de bom.
Meus amigos,nunca mais precisarão me dar
um ombro para chorar. 

Vou aproveitar a presença
deles para sorrir, cantar, para dividir felicidade.
A partir do próximo amanhecer vou ser eu mesmo. 
Nunca mais vou tentar ser um modelo de perfeição.
Nunca mais vou sorrir sem vontade
ou falar palavras amorosas por que
acho que sei o que os outros querem ouvir.

A partir do próximo amanhecer vou viver
minha vida... SEM MEDO DE SER FELIZ.
Vou continuar esperando.
Não, não vou esquecer ninguém.

Mas...
A partir do próximo amanhecer, quando a 
gente se encontrar, com certeza, vou te dar
“aquele” abraço bem apertado, e com toda
sinceridade dizer...

ADORO VOCÊ e tenho muito amor para lhe dar.

(Maktub)


domingo, 17 de junho de 2012

Quero Solidão!





Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.

Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.

Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.

(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.

(Cecília Meireles)

sábado, 16 de junho de 2012

Amar Melhor a mim



Não... Eu não estou querendo viver uma paixão arrebatadora
- Paixões assim são as que proporcionam os mais altos sonhos
E também as maiores quedas...
Mas, acredite, eu sou capaz de me apaixonar todos os dias!

E também não estou interessado em encontrar quem me ame de verdade
Já encontrei estas pessoas há muito tempo
E aquelas que não estão ao meu lado
Eu carrego comigo, em meu peito.

Ah, eu também não estou querendo viver um grande amor
Eu vivi todos os amores que a vida me trouxe
E foram lindos
Foram maravilhosos
E ainda são grandes amores, e vivem comigo, mesmo que já se tenham passado...

Também não estou procurando alguém para toda a vida
Nem procuro alguém para um pouquinho apenas
Não estou procurando absolutamente nada

Neste momento, apenas retraio-me comigo,
E estou descobrindo o prazer e a felicidade enorme que é
Amar mais e melhor a mim mesmo.
(Augusto Branco)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Erupção






ERUPÇÃO


Meus lábios ardem na caldeira dos sonhos
meus dedos estremecem nas pontas dos teus seios
e todo eu me revolvo no terramoto do teu colo,
ajoelhado na relva púbica do teu ventre
meus olhos cerram-se com medo
com medo que tudo isto não passe de miragem
de náufrago sedento na areia das tuas coxas.
diz-me meu amor, que estás aí,
diz-me meu amor, que as tuas mãos
são aquelas que roçam meus ouvidos
e teus lábios as fogueiras que aquecem minha boca
diz, meu amor, que teus olhos são as estrelas
que cintilam no céu desta ilusão,
diz, meu amor, que a gruta onde me afundo
é esse mar onde navego sobre as ondas
inebriado e louco nas curvas do teu corpo.
diz-me, meu amor, que a tua língua
é o inferno em que me lanço decidido...
mas diz-me, sobretudo, que esta hora
é muito mais do que uma hora,
é bem mais, amor, do que um só dia,
e que em ti embarquei para a eternidade...

(Fernando Peixoto)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Prepare o seu Coração



Prepare o seu coração para sofrer decepções,
mas avise o cérebro que o amor não dói,
deixe um aviso para a sua alma em letras grandes: "ser feliz é um exercício constante".

O que hoje é desilusão, amanhã será ensinamento, atalhos que poderemos usar,
até em meio a dor, para superar crises, para viver um grande amor.

Não se deixe abater pela incompreensão,
nem acredite na solidão como forma de vida,
antes, divida o seu amor, reparte-o como pão,
para famintos da caridade, carentes de afeto,
excluídos e atirados na solidão. Falo do amor solidário, que consola o aflito, que dá proteção ao segurar a mão, que aquece com um cobertor no inverno, e chama cada um que encontra de irmão.

Falo do amor que tudo dá, e nada espera em troca, e quem aprende amar assim, saberá viver o amor.

Para viver um grande amor é preciso saber dividir, e preciso ter coragem de ceder, doar-se, sair do casulo da intolerância, do egoísmo,
é viver um pouco além de nós mesmos,
encontrando no outro, qualidades e virtudes,
só ama de verdade quem admira a pessoa amada,
e isso vai além de qualquer paixão,
isso é verdadeiramente "início da felicidade",
amor que se vive aqui, mas com gosto de eternidade...
Eu acredito em você.

(Paulo Roberto Gaefke)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ainda Uma vez








Ainda uma vez — Adeus


I
Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!

III
Louco, aflito, a saciar-me
D'agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp'rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!

IV
Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.

V
Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura...
Olha-me bem, que sou eu!

VI
Nenhuma voz me diriges!...
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias — bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!

VII
Oh! se lutei! . . . mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?

VIII
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t'esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T'esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!

IX
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!

X
Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
"Ela é feliz (me dizia)
"Seu descanso é obra minha."
Negou-me a sorte mesquinha. . .
Perdoa, que me enganei!

XI
Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!

XII
Enganei-me!... — Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu'era...
E um louco fui, nada mais!

XIII
Louco, julguei adornar-me
Com palmas d'alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
Co que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.

XIV
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera...
E eu! eu fui que a não quis!

XV
És doutro agora, e pr'a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!

XVI
Dói-te de mim, que t'imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!... de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!

XVII
Adeus qu'eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!

XVIII
Lerás porém algum dia
Meus versos d'alma arrancados,
D'amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; — e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, — de compaixão,

(Gonçalves Dias)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Meu Namorado






Manhã para ser feliz

Esta é uma manhã para ser feliz
em um lugar, de algum modo,
é uma manhã para ser feliz...

Esta é uma manhã para dois, para dois juntos
abraçados e tontos, num remoinho
não como nós, eu aqui, diante do sol, das árvores,
de tudo envergonhado porque estou sozinho...

Esta é uma manhã que me fala de ti, nas nuvens,
na transparência do ar,
neste azul do céu, imaculado,
na beleza das coisas tocadas de sonho
e imaturidade...

Uma manhã de festa
para ser feliz de verdade!
Esta é uma manhã
para te Ter ao meu lado...

Quando Deus fez uma manhã como esta
estava com certeza apaixonado...

(JG de Araujo Jorge )
Hoje participo da iniciativa da querida Norma do Blog:
http://pensandoemfamilia.com.br/blog/

namorados2


O namoro em 1815

Em 1815 podia-se namorar honestamente de uma janela para a outra, na Rua das Flores, sem que uma patrulha insolente parasse debaixo para testemunhar a vida íntima dos que lhe pagam. Podia cochichar delícias a donzela recatada da trapadeira para a rua, sem que o amador extático ao som maviosíssimo daquela voz, receasse o retire-se! brutal do janizaro. Podia, finalmente, segurar-se o gancho de uma escada de corda no terceiro andar, subir impávidamente, conversar duas horas sobre vários assuntos honestos, e descer, sem o receio de encontrar cortada a retaguarda por um selvagem armado à nossa custa, que nos conduz ao corpo da guarda a digerir a substância da deliciosa entrevista.
Bem-aventurados, pois, os que namoravam em 1815.

(Camilo Castelo Branco)


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Deus Apaixonado





Esta é uma manhã para ser feliz
em um lugar, de algum modo,
é uma manhã para ser feliz...

Esta é uma manhã para dois, para dois juntos
abraçados e tontos, num remoinho
não como nós, eu aqui, diante do sol, das árvores,
de tudo envergonhado porque estou sozinho...

Esta é uma manhã que me fala de ti, nas nuvens,
na transparência do ar,
neste azul do céu, imaculado,
na beleza das coisas tocadas de sonho
e imaturidade...

Uma manhã de festa
para ser feliz de verdade!
Esta é uma manhã
para te Ter ao meu lado...

Quando Deus fez uma manhã como esta
estava com certeza apaixonado...

(JG de Araujo Jorge)

domingo, 10 de junho de 2012

Escreve-me






ESCREVE-ME...


Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!

"Amo-te!" Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então... brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de
saudade...

(Florbela Espanca)

sábado, 9 de junho de 2012

Esperança




Só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência resumida
que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos
árvore milagrosa que sonhamos
toda arriada de dourados pomos

existe sim; mas nós não n´a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos.

(Vicente de Carvalho )

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Exaltação do Amor






EXALTAÇÃO DO AMOR


Sofro, bem sei... Mas se preciso for
sofrer mais, mal maior, extraordinário,
sofrerei tudo o quanto necessário
para a estrela alcançar...
colher a flor...
Que seja imenso o sofrimento, e vário!
Que eu tenha que lutar com força e ardor!
Como um louco talvez, ou um visionário
hei de alcançar o amor... com o meu Amor!
Nada me impedirá que seja meu
se é fogo que em meu peito se acendeu
e lavra, e cresce, e me consome o Ser...
Deus o pôs... Ninguém mais há de dispor!
Se esse amor não puder ser meu viver
há de ser meu para eu morrer de Amor!

(J. G. de Araújo Jorge)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Amor Teria Sido...







CHEGAS...



Chegas, e de repente eu me pergunto
como pude ser poeta antes de ti,
antes de nossas horas encandeadas...
Como pude escrever coisas que agora
me parecem belezas mutiladas...

Chegas, e de repente me surpreendo
de que ainda haja surpresas para o amor,
marcado como estou de cicatrizes...
Eu que escrevera um dia amargurado:
"agora, em meu caminho, só reprises"...

Chegas, e eu adolesço de alma e corpo
e de repente, num verão que abrasa
como nunca pensara nem supus,
sou todo novos ramos, verdes ramos,
sou todo sol numa eclosão de luz...

E nesta ânsia de amor que me sufoca
que te sufoca como uma onda, e cresce,
e invade tudo, e é o tema de meu canto,
só um desespero surdo me consome:
é perceber quanto perdemos, quanto...

E me deixar a imaginar a vida
que não viveste, mas que te manchou
com a lembrança de inúteis pensamentos,
esta vida afinal que eu nem sabia
e agora solto como um lastro aos ventos...

Jogo aos ventos, enquanto ascendo, e vejo
em teus olhos um minuto de ninguém
e uma paisagem que ainda está sozinha...
Oh! meu amor, tudo é começo e é novo
agora que sou teu e te sei minha...

Um mundo de que nunca suspeitara...
E eu que falava em mundo antes de ti,
como se antes de ti pudesse ser...
E eu que falava em vida antes de amar-te,
e eu que falei de amor, sem nada ter...

Chegas. E de repente me pergunto
que amor é esse que existiu sem ti?
Que flores? Se não houve primavera...
Ah! nascemos agora, um para o outro,
e antes, não fomos mais que vã espera...

Antes, não fomos mais que espera vã...
E agora que existimos neste amor,
penso, que se afinal não te encontrasse,
o amor teria sido uma palavra,
uma palavra inconseqüente e fútil,
nada mais, nada mais que uma palavra;

e outra palavra a vida, e só palavras
todo o meu canto... e esse caminho inútil...
(J.G. de Araújo Jorge)

Metade



METADE



Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que tristeza...
Que a mulher que eu amo
seja pra sempre amada
mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece,
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão
que me corroe por dentro
seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso,
que me lembro ter dado
na infância
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade
eu não sei...

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais...
Porque metade de mim
é abrigo,
mas a outra metade
é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia,
e a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também...


(Oswaldo Montenegro) 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Quando Chegares




Quando chegares...


Não sei se voltarás
sei que te espero.
Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.

A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...

Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...

(J.G. de Araújo Jorge) 

Seria tão Diferente!




Seria tão Diferente




Seria tão diferente...
se os sonhos que a gente gosta
não terminassem tão de repente.
Seria tão diferente...
se os bons momentos da vida
durassem eternamente.
Seria tão diferente..
se a gente que a gente gosta
gostasse um pouco da gente.
Seria tão diferente...
se quando a gente chorasse,
fosse só de contente.
Seria tão diferente...
se a gente que a gente ama
sentisse o que a gente sente.

Mas, é tudo tão diferente!
Os sonhos que a gente gosta
terminam tão de repente!
A gente que a gente gosta
nem sempre gosta da gente!
E das vezes que a gente chora,
poucas vezes são de contente!
E a gente que a gente ama
não sente o mesmo que a gente!
Mas... poderia ser tão diferente!

(Douglas Uesato / Carlos Gomes)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Escute-me






QUERO




Não quero que alguém morra de amor por mim...
Prefiro esse alguém bem pertinho me abraçando.
Não quero que alguém me ame como eu amo.
Quero apenas que me ame.
Não quero que alguém seja igual a mim
Porque quero ser a única pessoa do jeitinho que sou para alguém.
Não posso pretender que todas as pessoas gostem de mim
mas posso imaginar que algumas gostem...
E talvez um sorriso meu possa fazer, pelo menos,
que uma dessas pessoas sorria também!
Quero fechar meus olhos e pensar em alguém
E imaginar que alguém pensa em mim.
Quero ser um pedacinho do mundo de alguém e saber
que esse alguém precisa de mim e que sou importante
e que talvez sem mim a vida não fique tão boa.
Quero ter certeza que apesar das minhas burrices e loucuras
alguém gosta de mim como eu sou!
Quero conseguir só lembrar das coisas boas que alguém possa
ter feito pra mim e procurar não me
lembrar das ruins
Não quero brigar com o mundo e se o mundo brigar comigo
quero ter coragem de enfrentá-lo
Quero sempre poder dizer o quanto alguém é
especial e importante pra mim
Quero poder acreditar que mesmo que hoje eu não consiga,
vou conseguir um dia!
Quero poder sempre dizer a alguém que gosto dele
e o quanto gosto e como gosto!
Se você tem um alguém, alguém especial e importante
na sua vida, não deixe de dizer isso...
Talvez
alguém goste de escutar!...

(Mario Quintana)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

É Preciso não Esquecer



É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes,
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta, nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome,
o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.

(Cecília Meireles)